Um composto bioativo, extraído do microrganismo Bacillus licheniformis encontrado na Ilha Decepción, na Antártida, demonstra ter propriedades promissoras para diversas aplicações. A substância, um exopolissacarídeo, pode ser utilizada na produção de alimentos, cosméticos, produtos farmacêuticos e até mesmo materiais biodegradáveis.
A Ilha Decepción foi escolhida para a pesquisa devido ao seu ambiente extremo, marcado por altas e baixas temperaturas, variações de pH e forte radiação ultravioleta. Essas condições forçam os microrganismos locais a desenvolver adaptações metabólicas e fisiológicas únicas, como a produção de exopolissacarídeos, polímeros de açúcar que os protegem contra o estresse ambiental. A substância protege as células microbianas da desidratação, pressão osmótica, substâncias tóxicas e ataques virais, além de facilitar a comunicação entre as células.
A análise do genoma do Bacillus licheniformis, isolado em água fumarólica com temperaturas superiores a 100°C, revelou genes relacionados à biossíntese de exopolissacarídeos com alta resistência à radiação ultravioleta e adaptação térmica. Testes mostraram que suas propriedades funcionais superam as da goma xantana comercial, um aditivo amplamente utilizado como espessante, estabilizante e emulsificante nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética.
O exopolissacarídeo produzido pelo Bacillus licheniformis apresenta características que o tornam um forte candidato para aplicações biotecnológicas que exigem estabilidade e bioatividade. Ele oferece proteção antioxidante, aumenta a vida útil dos produtos, estabiliza emulsões e melhora a textura, principalmente em alimentos funcionais. Sua estabilidade térmica e tolerância a pH extremo também o tornam promissor para o desenvolvimento de cosméticos, produtos farmacêuticos e materiais biodegradáveis em diversas áreas.
Fonte: www.agenciasp.sp.gov.br