Sete governadores formalizaram, nesta quinta-feira, a criação do “Consórcio da Paz”, uma iniciativa colaborativa visando o intercâmbio de informações de inteligência, apoio financeiro e contingente policial para combater o crime organizado. O anúncio surge após uma operação no Rio de Janeiro que resultou em um alto número de mortos nos complexos do Alemão e da Penha.
A reunião para a criação do consórcio ocorreu no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Participaram os governadores do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Goiás, além da vice-governadora do Distrito Federal. O governador de São Paulo participou remotamente.
O Rio de Janeiro sediará inicialmente o consórcio e coordenará o processo de formalização do grupo. O objetivo é compartilhar estratégias eficazes no combate ao crime. Apesar de liderado por governadores com alinhamento político, o consórcio pretende incluir todas as unidades federativas do país, visando a troca de experiências, recursos humanos e a compra conjunta de equipamentos para enfrentar a criminalidade em todo o território nacional.
Durante o encontro, os governadores elogiaram os resultados da operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, considerada por um dos governadores como “a mais bem-sucedida”. A operação resultou na morte de 121 pessoas, incluindo policiais, além da apreensão de 93 fuzis.
No entanto, especialistas em segurança pública apontam que o crime organizado envolve complexas redes econômicas e sociais, e que operações policiais isoladas não conseguem atacar suas raízes. Organizações da sociedade civil criticam a letalidade policial e o desrespeito aos moradores das comunidades, com denúncias de execuções e torturas por parte dos policiais.
Os governadores criticaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que visa dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Segundo um dos governadores, a PEC busca retirar dos estados as diretrizes gerais da segurança pública, transferindo a autonomia para o Ministério da Justiça. O governo federal argumenta que a PEC mantém a autonomia das forças de segurança estaduais e distrital.
O ministro da Justiça e da Segurança Pública e o governador do Rio de Janeiro anunciaram a criação de um escritório emergencial para enfrentar o crime organizado, buscando melhorar a integração entre as esferas federal e estadual. O governo federal planeja aumentar o efetivo da Polícia Rodoviária Federal nas estradas e de agentes de inteligência no Rio, além do envio de peritos. A pedido do governador, o governo federal autorizou a transferência de dez presos para presídios federais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br