CPMI do INSS adia votação para convocar Jorge Messias e foca em depoimento de contador sobre esquema de fraudes
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS adiou a votação para convocar o Advogado-Geral da União, Jorge Messias. A decisão de não votar a convocação nesta quinta-feira (27) se deu pela falta de consenso entre os parlamentares. A expectativa é que o tema seja retomado na próxima semana, em 4 de dezembro, última reunião da comissão antes do recesso.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que os requerimentos que não obtiveram acordo seriam deliberados apenas em datas futuras. Ele destacou que houve um alinhamento entre os líderes do governo e da oposição para dar andamento aos trabalhos da comissão, priorizando os temas com maior consenso para a sessão.
Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), teve sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) marcada para 10 de dezembro. A CPMI busca apurar falhas e responsabilidades que teriam permitido a ocorrência de **descontos indevidos** nos benefícios de aposentados e pensionistas. Conforme relatos de parlamentares, Messias teria sido informado sobre o esquema fraudulento, mas não teria agido diante dos alertas oficiais.
Investigação mira atuação da AGU em esquema de fraudes contra aposentados
A CPMI do INSS tem como objetivo principal identificar as falhas e as responsabilidades por trás do rombo financeiro que permitiu a manutenção de descontos irregulares nos pagamentos de aposentados e pensionistas. A atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) e de seu titular, Jorge Messias, tem sido alvo de atenção especial da comissão.
Anteriormente, Jorge Messias já havia sido convidado para prestar esclarecimentos à CPMI, mas não compareceu. Parlamentares buscam entender quais medidas foram tomadas por Messias após o recebimento de informações e relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU), que indicavam que associações estavam promovendo **descontos indevidos** nos benefícios previdenciários.
A comissão também quer saber se as decisões tomadas pela AGU a respeito do caso foram divulgadas publicamente ou se permaneceram sob sigilo. A investigação visa esclarecer a transparência e a efetividade das ações do órgão na proteção dos segurados do INSS contra fraudes.
Contador é ouvido pela CPMI sobre repasses de dinheiro e lavagem de valores
Na mesma sessão desta quinta-feira, a CPMI do INSS ouviu o depoimento de Mauro Palombo. Ele é contador de diversas empresas que, segundo a comissão, teriam recebido dinheiro da Amar Brasil (ABCB). Essa associação é apontada como responsável por repasses de recursos e **fraudes contra aposentados e pensionistas**.
O objetivo de ouvir Palombo era esclarecer se houve **lavagem de dinheiro** nas transações financeiras investigadas. A CPMI busca traçar um mapa detalhado do fluxo financeiro do esquema, identificando todos os envolvidos e os mecanismos utilizados para ocultar a origem e o destino dos valores desviados.
Outros requerimentos em pauta incluem quebras de sigilo e pedidos de informação
Além do depoimento de Mauro Palombo e da discussão sobre a convocação de Jorge Messias, a CPMI do INSS também votou outros requerimentos importantes. Entre eles, estão pedidos de **convocação de outros investigados**, solicitações de **quebras de sigilo bancário e fiscal**, e requerimentos para **prisão de supostos envolvidos** no esquema. A comissão também solicitou informações a órgãos como a Receita Federal e a Dataprev, vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, buscando dados cruciais para o avanço das investigações.