Glauber Braga é retirado à força da Câmara após ocupar mesa de presidente; veja vídeo e repercussão
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força por agentes da Polícia Legislativa Federal após ocupar a cadeira da presidência da Câmara dos Deputados, no plenário da Casa, na tarde de terça-feira (9). A ação ocorreu como protesto contra a decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira, de pautar o pedido de cassação do próprio Braga, juntamente com os processos de Carla Zambelli e Delegado Ramagem, além de um projeto para reduzir penas de envolvidos na trama golpista.
A ocupação da mesa diretora por Glauber Braga teve início como uma forma de protesto contra a condução das pautas por Arthur Lira. O deputado criticou o que chamou de tratamento diferenciado, comparando a sua retirada à força com a obstrução física praticada por deputados de oposição em agosto, que ocuparam a mesa por cerca de 48 horas sem sofrer punições ou serem retirados do plenário.
Imagens registradas por outros parlamentares mostram o momento em que Braga é retirado do plenário, sob protestos de colegas aliados. A transmissão ao vivo da TV Câmara foi cortada e a imprensa foi retirada do local, impedindo o acompanhamento do desenrolar dos fatos. O deputado relatou ter sido encaminhado ao Salão Verde com as roupas rasgadas.
Glauber Braga critica ação e fala em “ofensiva golpista”
Após o incidente, Glauber Braga falou à imprensa, criticando duramente a atitude do presidente da Câmara. “O senhor [Arthur Lira], que sempre quis demonstrar, como se fosse o ponto de equilíbrio, entre forças diferentes, isso é uma mentira. Porque com os golpistas que sequestraram a mesa, sobrou docilidade, agora com quem não entra no jogo deles, é porrada”, declarou.
O deputado classificou a votação de sua cassação, que prevê uma inelegibilidade de oito anos, como parte de uma “ofensiva golpista”. Ele também mencionou que o pacote de votações inclui a anistia para envolvidos na trama golpista, o que poderia resultar em penas reduzidas para Jair Bolsonaro, e a manutenção dos direitos políticos de Eduardo Bolsonaro.
Arthur Lira rebate e fala em “extremismo”
Em nota divulgada nas redes sociais, Arthur Lira afirmou que Glauber Braga desrespeitou a Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo, citando uma ocupação anterior em uma comissão em greve de fome. Lira classificou a ação de Braga como um ato de “extremismo”, argumentando que o agrupamento que se diz defensor da democracia não pode agredir o funcionamento das instituições.
“O extremismo não tem lado porque, para o extremista, só existe um lado: o dele. Temos que proteger a democracia do grito, do gesto autoritário, da intimidação travestida de ato político. Extremismos testam a democracia todos os dias. E todos os dias a democracia precisa ser defendida”, disse Lira.
Deputado promete lutar por “liberdades democráticas”
Glauber Braga reiterou que lutará até o fim pelas liberdades democráticas. “Amanhã [10] tem a votação, no plenário da Câmara, da cassação. Eles podem até cassar o mandato, mas eles têm que ter a certeza que, até o último minuto, eu vou estar lutando não é por mim, pelo mandato, não. Eu vou estar lutando para que eles não firam as liberdades democráticas em um pacote golpista, como eles estão tentando fazer”, afirmou.
Ele alertou que ações como essa podem se repetir contra outras forças populares e democráticas. “Hoje, fazem comigo, amanhã fazem com outra forças populares, democráticas, e isso não tem como aceitar”, completou o deputado.
O presidente da Câmara informou ainda que determinou a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa.