Estudo da FGV revela que a maioria dos beneficiários do Bolsa Família consegue sair do programa em uma década, impulsionados por políticas de saúde e educação.
Em um período de dez anos, mais de 60% dos beneficiários do Bolsa Família conseguiram deixar o programa. A constatação é parte do estudo ‘Filhos do Bolsa Família’, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
O levantamento analisou a chamada ‘segunda geração’ do programa, criada em 2003, e observou que a taxa média de saída foi de 60,68%. Essa saída representa um indicativo importante da efetividade do programa em promover a autonomia e a melhora nas condições de vida das famílias.
O ministro Wellington Dias comemorou os resultados, afirmando que ‘o Bolsa Família não é um fim, mas um começo’. Ele ressaltou a importância de tirar as pessoas da fome para que possam estudar, trabalhar e ter melhores oportunidades, justificando assim os investimentos no programa.
Jovens lideram o ranking de saída do Bolsa Família
A pesquisa da FGV aponta que os jovens, especialmente aqueles que eram adolescentes em 2014, apresentaram as maiores taxas de saída do programa. Entre os jovens de 15 a 17 anos, a proporção de saída alcançou impressionantes 71,25% em uma década. Isso demonstra um forte impacto das condicionalidades de saúde e educação na trajetória desses jovens.
Em seguida, a faixa etária de 11 a 14 anos registrou uma taxa de saída de 68,80%. Já os beneficiários mais novos, com até 4 anos de idade em 2014, tiveram uma taxa de saída de 41,26% no mesmo período.
Bolsa Família como motor de mobilidade social
O professor de economia da FGV e autor do estudo, Valdemar Rodrigues de Pinho Neto, classifica o Bolsa Família não apenas como um alívio imediato da pobreza, mas também como um importante instrumento de mobilidade social. Ele destaca o papel crucial das condicionalidades, como a obrigatoriedade de manter as crianças na escola e em dia com a vacinação.
“Transferência de renda e, ao mesmo tempo, viabilizar o fomento de capital humano desses jovens, para que no futuro, tendo oportunidades de trabalho, de empreendedorismo, eles consigam acessar o setor produtivo, ter melhores condições socioeconômicas e, de certa forma, viabilizar essa mobilidade”, explicou Neto.
A saída de beneficiários é vista como um fator essencial para a sustentabilidade do programa em um contexto de recursos governamentais escassos. Saber que os filhos do Bolsa Família não permanecerão indefinidamente no programa confere maior viabilidade à política social.
Novas ferramentas impulsionam autonomia e transição para o mercado de trabalho
O estudo também revela que as pessoas que deixaram o Bolsa Família não ficaram desamparadas. Entre os jovens que tinham de 15 a 17 anos em 2014, 28,4% possuíam vínculo formal de emprego dez anos depois. Além disso, mais da metade (52,67%) deixou o Cadastro Único (CadÚnico), a porta de entrada para programas sociais.
A nova versão do Bolsa Família, iniciada em 2023, já apresenta resultados promissores. Cerca de 31,25% dos beneficiários observados no início de 2023 já não estavam mais no programa em outubro de 2025, com destaque para os jovens de 15 a 17 anos, onde a taxa de saída atingiu 42,59% em três anos.
A regra de proteção, que permite que beneficiários que conseguiram emprego permaneçam por um período no programa, e o Programa Acredita, que oferece microcrédito para empreendedores de baixa renda, são apontados como mecanismos importantes para uma transição mais suave para o mercado de trabalho e para a conquista da autonomia.
Esses resultados se alinham com dados recentes do IBGE, que indicam que mais de 8,6 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza em 2024, atribuindo essa melhora ao mercado de trabalho aquecido e a programas sociais como o Bolsa Família.