Conselhão Apresenta a Lula Propostas Abrangentes para o Desenvolvimento Nacional
A 6ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão, marcou a entrega ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de um documento crucial com metas estratégicas para o futuro do Brasil. Reunindo governo, sociedade civil e empresariado, o encontro em Brasília buscou alinhar visões para um desenvolvimento econômico, social e sustentável.
O Conselhão, órgão com histórico de participação social desde 2003, foi reativado em 2023 e tem como objetivo ser um canal de diálogo plural para a formulação de políticas públicas. O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou a importância dessa retomada, afirmando que “as políticas governamentais são construídas para atender às demandas da sociedade”, e que o conselho é uma “forma democrática de ouvir a sociedade, suas prioridades e suas demandas”.
O documento entregue a Lula, intitulado “Pilares de um Projeto de Nação”, consolida propostas de metas para a próxima década, com ações mais concretas para os próximos cinco anos. A elaboração baseou-se na Estratégia Brasil 2050 e em discussões aprofundadas nas comissões temáticas do conselho, abordando temas como envelhecimento populacional, empregos no interior e o impacto das novas tecnologias na empregabilidade, conforme explicou o secretário-executivo do Conselhão, Olavo Noleto.
Diversidade e Diálogo como Pilares para o Futuro
Olavo Noleto ressaltou a **riqueza da diversidade de opiniões e experiências presentes no Conselhão**. “Os diferentes estão aqui, o que é uma riqueza. Porque, no Brasil em que as diferenças são disputadas a tapa, aqui a gente está provando que as diferenças são possíveis”, refletiu. Atualmente, o conselho conta com 289 conselheiros, representando um amplo espectro da sociedade brasileira.
Setores Econômicos Apresentam Perspectivas e Demandas
No setor do agronegócio, o produtor Eraí Maggi reconheceu medidas do governo que beneficiaram o setor, como o desenvolvimento de biotecnologias e a normatização para o uso seguro de defensivos agrícolas. Ele também destacou a **ampliação do acesso ao crédito bancário para produtores rurais**, com financiamentos de longo prazo que impulsionaram a produção e as exportações brasileiras.
A empresária Luiza Trajano celebrou a **redução da taxa de desemprego para 5,4%** e a recente regulação das apostas esportivas (bets). “Vamos parar de falar mal do Brasil. Vamos destacar o que nós temos de bom e valorizar o que é nosso”, declarou, defendendo a construção de um “2026 mais forte, mais justo e soberano”. Contudo, criticou a **alta taxa de juros**, que, segundo ela, prejudica a atividade econômica, e convocou empresários a criarem um movimento de **educação contra a violência contra as mulheres**.
Compromisso com a Soberania e Inclusão Social
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comparou o ajuste fiscal brasileiro a uma “chave de fenda”, em contraste com a “motosserra” da Argentina, enfatizando a necessidade de diálogo para prosperar. Ele apresentou dados positivos sobre a taxa de emprego, a redução da informalidade, o aumento da média salarial, a **redução recorde da desigualdade de renda** e a saída do Brasil do Mapa da Fome, prevendo a menor inflação da história.
A cientista de computação Nina da Hora defendeu a **soberania digital tecnológica do Brasil**, com investimentos em softwares e soluções inovadoras desenvolvidas no país e em universidades públicas. “Não se trata de um isolacionismo, nem de tecnofobia. Trata-se que a nossa soberania nacional se fortaleça também a partir de soluções”, explicou.
Mônica Veloso, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ressaltou conquistas como a valorização do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda, que beneficia trabalhadores que ganham até R$ 5 mil. Ela estima que essa medida injetará **R$ 28 bilhões a mais nas mãos dos trabalhadores**, impulsionando renda e consumo. Veloso também cobrou foco nos aposentados em 2026 e a geração de empregos de qualidade, pedindo o fim da escala 6×1, pois “tempo livre dinamiza a economia”.
Preto Zezé, da Central Única das Favelas (Cufa), destacou a necessidade de renovar as discussões sobre questões urbanas e segurança pública, propondo intervenções integradas e o reconhecimento da **economia das favelas, que movimenta R$ 312 bilhões**. Ivan Baron, ativista anticapacitista, pleiteou a inclusão de pessoas com deficiência no orçamento público e a **evitação de cortes no Ministério do Desenvolvimento Social**.
Outras Entregas e Portfólios Estratégicos
O Conselhão também entregou ao presidente Lula o projeto Move Mundo, com mensagens da comunidade científica da Amazônia para líderes globais, e a Agenda Positiva do Agro 2025, um conjunto de práticas para fortalecer a produção sustentável no setor. Foi apresentado ainda o Portfólio De Investimentos Voltados à Transformação Ecológica no Brasil, detalhando projetos com impacto ambiental positivo, como bioeconomia e energias renováveis.