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Davi Alcolumbre Reage a Decisão do STF e Anuncia Votação Urgente da PEC do Marco Temporal para Terras Indígenas

Senado busca restabelecer “altivez institucional” com votações estratégicas após decisão do STF sobre crimes de responsabilidade.

Em um movimento que sinaliza tensão entre os poderes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta quarta-feira (3) que organizará uma força-tarefa para acelerar a votação de diversos projetos em tramitação na Casa. A iniciativa surge como uma resposta direta à decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringiu a prerrogativa de denunciar ministros da Corte por crimes de responsabilidade ao chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A decisão de Mendes, tomada nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1259/DF, suspendeu trechos da Lei de Impeachment que permitiam a qualquer cidadão a apresentação de denúncias contra magistrados. Alcolumbre expressou preocupação com a decisão, considerando-a um atropelo à legislação vigente e à autonomia do Poder Legislativo.

“A situação estabelecida indica a necessidade de se alterar o regime das chamadas decisões monocráticas, em especial aquelas que suspendem a vigência de lei cautelarmente”, afirmou Alcolumbre em nota. Ele defendeu que leis aprovadas pelo Congresso e sancionadas pela Presidência da República não sejam revistas pela decisão de um único ministro, argumentando ser necessário o quórum colegiado do STF para tais questionamentos.

PEC do Marco Temporal na mira do Senado

Entre as matérias prioritárias que Alcolumbre pretende pautar está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023, que estabelece o Marco Temporal para a demarcação de terras indígenas. Este tema, que também está sob análise do STF com julgamento marcado para 5 de dezembro, tem Gilmar Mendes como relator.

O presidente do Senado solicitou ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), que agilize a deliberação da PEC 48/2023 na comissão. Alcolumbre sugeriu ainda a articulação entre líderes partidários para coletar assinaturas de apoio, visando levar a proposta diretamente ao plenário do Senado Federal em caráter de urgência.

Reação à decisão de Mendes e defesa das prerrogativas do Senado

A decisão monocrática de Gilmar Mendes gerou forte reação entre senadores, que demandaram medidas de retaliação ao STF. Alcolumbre, ao anunciar a força-tarefa, busca demonstrar a capacidade de resposta do Senado e restabelecer o que chamou de “altivez institucional”.

Ele ressaltou que a Lei de Impeachment, datada de 1950, garante o direito de qualquer cidadão propor um processo por crime de responsabilidade, e que eventuais abusos não justificam a anulação do comando legal. A Constituição Federal prevê o processamento e julgamento de ministros do STF pelo Senado em casos de crimes de responsabilidade, tema regulamentado pela Lei de Impeachment.

PEC 08/2021 como alternativa

Além da PEC do Marco Temporal, Alcolumbre mencionou a PEC 08/2021, que visa limitar decisões monocráticas em tribunais superiores. A articulação para pautar esses projetos reflete um esforço do Senado em reequilibrar a relação com o Judiciário e reafirmar seu papel no cenário político nacional.

O julgamento do Marco Temporal no STF será realizado de forma virtual, com votação aberta até 15 de dezembro. A decisão do Senado sobre a PEC 48/2023 pode influenciar o debate e a própria decisão da Corte sobre a demarcação de terras indígenas no país.