Haddad condiciona apoio financeiro aos Correios a plano de recuperação robusto
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estabeleceu um critério fundamental para a liberação de qualquer tipo de auxílio financeiro aos Correios. Segundo ele, a aprovação de um plano de recuperação ou reestruturação eficaz é um pré-requisito indispensável para que a União conceda empréstimos, aportes diretos ou garantias em operações de crédito para a estatal.
A declaração do ministro surge em um momento de **dificuldades financeiras significativas** para a empresa, que registrou um rombo de R$ 6,05 bilhões entre janeiro e setembro. Diversos fatores contribuem para essa crise, incluindo a perda de competitividade no mercado, o aumento das despesas operacionais, reveses em processos judiciais e desafios na gestão interna.
“Não vamos fazer um aporte sem o plano de recuperação aprovado. Nem empréstimo, nem apoio, nem aval”, enfatizou Haddad, deixando clara a posição do governo em relação à necessidade de um **diagnóstico e solução estrutural** para os problemas dos Correios antes de injetar recursos públicos.
Aporte financeiro sob regras fiscais estritas
Apesar da exigência do plano de recuperação, o ministro **não descartou a possibilidade de um aporte financeiro** federal. Ele ressaltou que o Tesouro Nacional está analisando diferentes alternativas para socorrer a empresa, mas reiterou que qualquer movimentação financeira estará estritamente alinhada às regras do arcabouço fiscal vigente.
“Pode haver [aporte]. O Tesouro está estudando, vamos considerar todas as variáveis para tomar a decisão”, afirmou Haddad, negando qualquer relação entre a potencial injeção de recursos e flexibilizações fiscais. Ele garantiu que, se um aporte for realizado, será **dentro das regras atuais**.
O cenário de **juros elevados no Brasil** encarece a tomada de crédito pela própria estatal, o que, segundo o ministro, aumenta a probabilidade de um aporte direto da União. A recente inclusão de R$ 10 bilhões na meta fiscal das estatais para 2026, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), foi vista por Haddad como uma medida preventiva, criando margem para um eventual aporte.
Pedido de empréstimo negado reforça exigência de reestruturação
Em meio à sua deterioração financeira, os Correios tiveram um **pedido de empréstimo de R$ 20 bilhões negado** pelo Tesouro Nacional. O crédito seria concedido por um consórcio de cinco bancos, mas as condições impostas, com juros de 136% do CDI, ultrapassaram o limite de 120% do CDI permitido para operações com garantia da União.
O CDI, que serve como referência para operações de crédito interbancário, está ligeiramente abaixo da Taxa Selic. Com a Selic atual em 15% ao ano, um CDI de 136% equivaleria a aproximadamente 20% anuais, enquanto 120% do CDI representaria cerca de 18% ao ano. Essa recusa, segundo membros da equipe econômica, reforça a **necessidade de um plano de reestruturação consistente** antes de qualquer socorro financeiro.
A equipe dedicada ao tema no Ministério da Fazenda continua avaliando as alternativas para a situação dos Correios, com foco na **sustentabilidade a longo prazo** da empresa.