Presidente Lula anuncia reunião interinstitucional para criar força-tarefa contra feminicídio e violência doméstica
Diante da crescente onda de feminicídios e casos de violência contra a mulher que têm chocado o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta segunda-feira (8), sua intenção de convocar uma reunião com representantes dos Três Poderes da República e de diversos segmentos da sociedade. O objetivo é promover um “mutirão educacional” para combater a violência de gênero no país.
A proposta surge em um momento crítico, com milhares de pessoas saindo às ruas em todo o país para denunciar a violência e exigir mais segurança, respeito e liberdade para as mulheres brasileiras. A iniciativa visa a **união de esforços** em um problema que, segundo o presidente, é de responsabilidade de todos, especialmente dos homens.
A declaração foi feita durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, em Brasília. Lula enfatizou a necessidade de envolver ativamente o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ), os tribunais de justiça estaduais, sindicatos e lideranças religiosas, como evangélicos, em um esforço conjunto para a **educação e prevenção da violência**.
Casos recentes chocam e motivam a ação presidencial
O presidente Lula citou exemplos recentes que ilustram a gravidade da situação. Um dos casos mencionados foi o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por Douglas Alves da Silva, de 26 anos, em São Paulo. O crime ocorreu em 29 de novembro e a vítima segue internada.
Outro episódio trágico lembrado pelo presidente foi o ocorrido no Recife, onde um homem de 39 anos foi preso em flagrante por provocar um incêndio que resultou na morte de sua esposa, grávida, e dos quatro filhos do casal, também no final de novembro. Esses **casos emblemáticos** reforçam a urgência de medidas mais eficazes.
Feminicídio: uma luta que exige engajamento masculino e educação
Lula reiterou que o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher não é uma tarefa exclusiva das mulheres, mas sim uma **responsabilidade coletiva**, com um papel crucial a ser desempenhado pelos homens. “A verdade nua e crua é que a violência só tem um lado. Quem tem que mudar de comportamento não são as mulheres, são os homens”, afirmou categoricamente.
O presidente declarou que fará do combate à violência de gênero uma de suas **principais bandeiras políticas** a partir de agora. Ele ressaltou que o problema é eminentemente educacional e que é preciso começar a ensinar desde a escola e educar os filhos sobre o respeito e a igualdade de gênero.
Estatísticas alarmantes e a urgência de políticas públicas eficazes
Os dados apresentados pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero revelam a dimensão do problema: cerca de **3,7 milhões de mulheres brasileiras** vivenciaram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses. Em 2024, já foram registrados 1.459 feminicídios, o que representa uma média de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia em razão de gênero.
O Ministério das Mulheres informou que, neste ano, o Brasil contabilizou mais de **1.180 feminicídios** e quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180. Esses números evidenciam a necessidade urgente de políticas públicas robustas e da **mobilização de toda a sociedade** para reverter esse cenário alarmante.
PEC do Suas e a importância do financiamento da assistência social
Durante a conferência, o presidente Lula também comentou sobre a Proposta de Emenda à Constituição 383/17 (PEC 383/17), que visa garantir a aplicação mínima de 1% da Receita Corrente Líquida da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios no Sistema Único de Assistência Social (Suas). A proposta já foi aprovada em comissões e aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados.
Lula destacou a importância do Suas como uma das principais conquistas sociais do país e sinalizou a necessidade de estudar a viabilidade econômica de um **financiamento fixo** para a área, a fim de evitar a constante disputa por orçamento. O ministro Wellington Dias defendeu um acordo federativo para a proposta, nos moldes da educação e da saúde, com cofinanciamento tripartite.