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Prisão de Militares de Alta Patente por Golpe Revela Amadurecimento Democrático no Brasil, Avalia Historiador da UnB

Historiador da UnB: Prisão de Militares por Golpe é Sinal de Democracia Amadurecida

O recente e histórico encarceramento de oficiais-generais condenados por envolvimento em uma trama golpista sinaliza um notável **amadurecimento da democracia** no Brasil. Essa é a avaliação do professor de história Mateus Gamba Torres, da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à TV Brasil.

A prisão de figuras como os generais Augusto Heleno Pereira, Paulo Sergio Nogueira, Walter Braga Netto, o almirante Almir Garnier e o ex-presidente Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, representa um marco sem precedentes. É a primeira vez que militares de alta patente são detidos por participação direta em articulações golpistas no país.

Após quatro décadas do processo de redemocratização, o Brasil demonstra uma consolidação significativa de seu sistema de governo. Conforme disse o professor Mateus Torres à TV Brasil, mesmo que houvesse tentativas de golpe, como ocorreram no passado da República, essas ações **não são mais aceitas pela democracia brasileira**.

Anistia: Uma Tentativa de Esconder Problemas, Segundo Historiador

Em relação às propostas de anistia para os envolvidos em atos golpistas, o professor Mateus Torres recorda que tais demandas foram eficazes em outros períodos da história brasileira. No entanto, ele diverge da ideia de que um possível perdão poderia pacificar o país ou diminuir a polarização.

“A anistia não apazigua nada. Ela varre a sujeira para debaixo do tapete”, afirmou o historiador. Ele ressalta que, em casos como esses, a anistia resulta em **impunidade para golpistas**, lembrando o caso de 1979, quando torturadores foram anistiados.

Luta por Justiça e Fortalecimento da Imagem Internacional

A lei de anistia de 1979, segundo o professor da UnB, ainda gera uma luta contínua por uma justiça de transição efetiva, que contemple memória, justiça e verdade. Por outro lado, Torres entende que a decisão judicial recente **fortalece a percepção internacional** sobre o Brasil.

A possibilidade de militares perderem suas patentes, em processo no Superior Tribunal Militar após condenação na Justiça civil, também é considerada histórica pelo pesquisador. Ele enfatiza que não há nada mais indigno do que se posicionar contra a democracia.

Corporativismo Militar e o Clima Atual

O historiador reconhece a existência de corporativismo entre militares, mas aponta que, no momento atual, há um clima favorável para que a perda de patentes ocorra. “A gente sabe que há um corporativismo. Mas, neste momento, há um clima para que isso (a perda de patentes) aconteça”, disse o professor ao Repórter Brasil.

Essa atitude demonstra um passo importante na responsabilização de indivíduos que atentam contra as instituições democráticas, reforçando a ideia de que **nenhum cidadão está acima da lei**, independentemente de sua posição ou farda.