Exportadores brasileiros impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos têm agora acesso a R$ 40 bilhões em crédito através do plano Brasil Soberano. O anúncio foi feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O montante total será dividido em R$ 30 bilhões provenientes do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões de recursos do próprio BNDES, ambos com juros subsidiados. Os recursos destinam-se ao financiamento de capital de giro das empresas, investimentos para adaptação da produção, aquisição de maquinário e equipamentos, e à busca por novos mercados.
Lançado em agosto, o plano Brasil Soberano visa auxiliar empresas que exportam para os EUA produtos agora sujeitos a taxas de até 50%. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, condicionou a concessão do crédito à manutenção dos níveis de emprego.
Empresas de todos os portes podem acessar os R$ 30 bilhões do FGE, desde que comprovem que pelo menos 5% do seu faturamento bruto total, entre julho de 2024 e julho de 2025, é composto por produtos listados na tarifação. Os R$ 10 bilhões em recursos do BNDES estão disponíveis para empresas com qualquer nível de impacto no faturamento.
Para verificar a elegibilidade, as empresas devem acessar o do BNDES e autenticar-se através da plataforma GOV.BR, utilizando o certificado digital da empresa. Se consideradas aptas, devem entrar em contato com o banco com o qual já possuem relacionamento, ou diretamente com o BNDES no caso de grandes empresas.
Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) aponta que as exportações de produtos afetados pelas tarifas americanas já registraram uma queda de 22,4% em agosto, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
As tarifas de até 50%, impostas a partir de 6 de agosto, incidem sobre aproximadamente um terço (35,9%) das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Cerca de 700 produtos foram listados como exceção, incluindo suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis.
A medida foi justificada pelo governo americano alegando um déficit comercial com o Brasil e um suposto tratamento inadequado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, recentemente condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br